quarta-feira, 15 de julho de 2009

The 3rd DD - Capítulo 2 | A noite que não terminou.

Terminei a gravação sobrando ainda uma mini fita intacta, a barra eletrônica no visor indicava que a bateria da câmera ainda estava na metade, “essas pilhas ainda irão funcionar nas lanternas...” pensei, o silêncio voltou a reinar e o medo de ouvi-los novamente retornou. Ainda estava escuro lá fora e a noite apenas tinha começado, não me atrevi a olhar pela janela novamente, eles poderiam já estar lá fora, esperando, observando, tentando entender o que se passava, tentando descobrir como entrar...

Nosso último galão de gasolina não passaria de hoje, amanha cedo acho que terei que iniciar alguma nova exploração em setores inexplorados e eu sabia claramente o que isso significaria. Poucos eram os setores que chamávamos de controláveis, esta parte do setor 54’’, onde nós nos encontrávamos com certeza era um dos seguros, ou melhor, um dos menos perigosos, já havíamos isolado a área do vírus-besta, ou pelo menos achávamos que havíamos, não registramos mais alterações em plantas que tínhamos colocados em locais estratégicos, se houvesse alguma coisa, nós saberíamos. Lacramos possíveis entradas por onde aquelas criaturas poderiam passar, mas eles sempre encontravam uma maneira de passar, fizemos trincheiras, barreiras com entulhos, nada adiantava, “Malditos monstros! São como ratos asquerosos, não importa quantos matem, eles sempre voltam...”.

Enquanto aos outros setores e até partes que nunca fomos neste setor, como túneis subterrâneos e tubulações, ainda guardam mistérios, “Há um inferno lá fora Rafael, e temos que tomar todo o cuidado do mundo. Deus nos ajude...” Dizia Bernard.

Desci novamente até o primeiro andar da caverna, retirei meu roupão “anti-nuclear” sujo de sangue ou algo parecido, fui até a nossa “lavandeira”, um quarto que havíamos arrumado para limparmos as roupas que possivelmente estariam infectadas, sujas ou precisassem ser levadas quimicamente. Todas as áreas abaixo do terceiro andar eram lacradas externamente, para que não houvesse uma disseminação caso acontece algo dentro deles, no primeiro andar tínhamos a lavanderia e o nosso estoque de itens não-perecíveis, tais como roupas, lanternas, ferramentas, peças de equipamentos eletrônicos “Não muito úteis nesses dias nublados, o gerador continua não funcionando muito bem”. Entrei na lavanderia e joguei o roupão dentro de uma incubadora que modificamos para limpeza, mas não comecei a limpá-la de imediato, não estava com cabeça para passar tempo algum limpando roupas. Parei e fiquei alguns segundos pensando “E agora, Bernard se foi...”, por um instante imaginei ele lá encima, resmungando novamente sobre o mundo e seus paradoxos, agora só o silêncio ecoava.

Não havia nada o que ser feito, cansado e com alguns hematomas, subi para o sexto e ultimo andar da caverna, o que chamávamos de “toca”. “Que diabos! Quem chamaria uma casa de toca! Realmente voltamos aos tempos das cavernas!” pensei e logo soltei uma risada melancólica. Logo voltei ao meu estado normal e aparentemente calmo, o gerador parou por completo. A luz apagou-se de vez, achei realmente melhor assim, parando de tremular e piscar de forma arrítmica. Sabia que do terraço lá encima a visão era a mais ampla possível, poderia pegar algum rifle de alta precisão e sair atirando neles enlouquecidamente, mas não era uma boa idéia, nunca fora.

“Eles estão em grande número esta noite, mas se eu ficar quieto na minha, sem irritá-los nada acontecerá comigo até o sol nascer”. Tentei manter apenas este pensamento em minha mente, aliviando-me dos maus e piores pesadelos que poderiam surgir. Desci novamente no primeiro andar, pequei uma lanterna, duas mochilas grandes vazias, cerca de quatro metros de corda, e ferramentas convencionais, segui direto para o segundo andar, nosso estoque bélico.

Subdividido em cincos níveis, um em cada quarto, separados e catalogados, Bernard havia gastado muito tempo fazendo isso, na época achei que ele adquirira um novo distúrbio em sua lista, mania de organizar quase tudo, mas eu estava enganado, organização passou a ser uma nova perícia indispensável nesses tempos. O Segundo andar era mantido fechado por mais uma porta extra de ferro e chumbada em suas laterais, cada quarto mantinha armas especificas de sua catalogação, cincos quartos, cinco tipos de especificações, bélicas de infantaria era a primeira. Entrei nela, pequei uma Kalashnikov (AK-107), e três cartuchos complementares de noventa cápsulas, pequei também quatro cartuchos para minha Taurus PT 59 S, havia feito muitas balas nesses últimos dias, Bernard havia me ajudado a testar e aperfeiçoar nossa pólvora caseira, geralmente saiamos para procurar cápsulas em bom estado para usá-las novamente, balas também eram consideradas raras.

Sai do primeiro quarto, olhei para a segunda porta, bélicas químicas, não havia nada lá dentro, durante anos procuramos mas não achamos nada, os outros quartos estavam catalogados como, bélicas nucleares, minas & explosões e o ultimo quarto, catalogado como bélicas biológicas, o que gostaria que não houvesse nada lá durante minha existência, mas havia sim. Talvez a última em estado usável, a mais aterrorizante das armas, uma ogiva contendo o vírus Ext-T, a denominada Sitala.

Depois de pegar tudo o que achei que necessitaria para amanhã de manhã, lembrei que faltava um mapa, procurei em nosso inventário algum mapa contendo área do setor 48’’, já estava decidido, amanhã seria uma longa caminhada até lá, tentaria achar algo útil, combustível seria ótimo, caso não achasse, dias frios viriam, e noites piores ainda.
Organizei tudo e deixei na sala principal no sexto andar, eu estava sujo, mas sobretudo cansado, olhei para o sofá, ele estava tentador, não pensei duas vezes, caminhei até ele, deitei e esperei o sono surgir, ele veio rápido. Mas foi ai que meu pesadelo se iniciou.

2 comentários:

Dexx disse...

Mtooo Bom...carambaaaa...
na boa... vc acabou com meus dias de trabalhos monotonos..hueuhehueuheuhe...


Parabens d novo...

Anônimo disse...

Muito bom pena que so tem 2 capitulos